Explosão de Vendas

Crescimento da economia brasileira impulsiona as vendas de veículos comerciais leves no País e levam as montadoras a baterem recorde histórico de produção

A aceleração na economia brasileira, o consumo em alta e os incentivos fiscais são alguns dos reflexos imediatos em toda a cadeia de prestação de serviços logísticos no País. Esses fatores levaram o setor automotivo a se desdobrar para dar conta da volúpia de pedidos de veículos leves, incluindo os furgões de até 1.000kg de carga de capacidade e camionetas para até 3.500kg de carga. Os números da Anfavea comprovam essa disparada.

Em 2009 o segmento respondeu pela produção de aproximadamente 57 mil veículos. Somente nos primeiros cinco meses de 2010 a produção de comerciais leves alcançou cerca de 87 mil unidades. “Trata-se de um segmento em franca expansão, em razão da restrição cada vez mais rígida aos caminhões nos grandes centros urbanos do País”, destacou Alcides Cavalcante, diretor Comercial da Iveco Latin America. “Com a economia fortalecida a demanda por esses veículos só deve aumentar nos próximos meses”, prevê o executivo.

Obvio, contudo, que boa parte da demanda por veículos comerciais leves tem crescido após o impacto da restrição de circulação de caminhões em grandes cidades brasileiras. Muitas transportadoras e caminhoneiros autônomos tiveram que encontrar solução para cumprir os prazos de entregas e coletas das mercadorias dentro das regras impostas pelas prefeituras. Desde 2008 a capital paulista, que responde por expressiva parcela de pedidos gerados nas revendas das 12 marcas (Fiat, Volkswagen, Peugeot, Renault, CN Auto, Effa Motors, Hyundai, Kia, Iveco, Mercedes-Benz, Changan) estabelecidas no País, impôs mudanças no perfil dos veículos utilizados para distribuição dos produtos. Na ocasião, além da proibição da circulação de caminhões no chamado centro expandido do município, os veículos VUCs (Veículo Urbano de Carga) só poderiam circular em sistema de rodízio de placas par ou impar com vigência de horário entre 10h e 16 horas.

Reflexos das restrições – Segundo pesquisa realizada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo (Setcesp), 12 meses após o cumprimento da lei a frota paulistana teve aumento de 30% de novos veículos comerciais leves. “Os empresários não tiveram outra saída senão comprar utilitários de cargas para se adequar às novas regras”, lembra Francisco Peluccio, presidente da entidade.

“Em muitos casos, até para substituir uma parcela da frota de VUC, que sofreu restrições de horários e rodízio de placas para circular na Zona Máxima de Restrição a Circulação”, lembra o dirigente, que luta até hoje pela liberação dos veículos junto à Secretaria de Transportes de São Paulo. De acordo com os estudos do Setcesp, o primeiro ano da ampliação das restrições, que limitou também os horários de circulação dos VUCs, provocou demanda por veículos comerciais leves entre 10% e 30% nas montadoras em 59% das empresas do setor de transportes. Um índice médio de aumento de 30% na frota paulistana de utilitários no País. “É um absurdo, com a liberação do Rodoanel Sul a prefeitura de São Paulo ainda proibir a circulação de VUCs”, discursa o dirigente que permanece à frente das negociações para a liberação definitiva dos VUCs na capital. “Até porque os empresários do setor investiram pesado numa frota numerosa lá atrás quando era permitido circular com esse tipo de veículo pela cidade”, lembra.

A reboque da expansão desse mercado, a Fiat e a Hyundai são duas das montadoras que mais produzem veículos para atender o grande número de pedidos do setor de transporte no Brasil. Os mineiros venderam em 2009 nada menos que 18.928 dos modelos Fiorino Furgão e Doblò Cargo (os chamados furgões leves). “É um modelo versátil, com custo de manutenção baixo, que atende às necessidades de diversas aplicações”, destaca Antonio Sergio, diretor de Veículos Comerciais da Fiat. Os goianos registraram 11.897 unidades vendidas no utilitário modelo HR. “O carro é um fenômeno de vendas e 95% de tudo o que comercializamos é para atender o varejo”, diz satisfeito Annuar Ali, vice-presidente do Grupo Caoa.

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