Tendências – Carreteiras nos canaviais

 

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Apesar de ser um trabalho duro, usinas têm contratado cada vez mais mulheres para executar o transporte de cana-de-açúcar e operar máquinas agrícolas durante o período de safra e oferecem treinamento e condições especiais para garantirem desempenho e rentabilidade

Texto Alessandra Sales

Mulheres ao volante de veículos pesados deixou de ser novidade há muito tempo, e com o mérito de serem elogiadas pelos respectivos patrões como profissionais de grande competência e dedicação. O transporte de cana-de-açúcar, em usinas no Estado de São Paulo, é um dos segmentos em que as mulheres têm se sobressaído, principalmente ao volante de composições pesando dezenas de toneladas e que exigem muita perícia e atenção na condução.

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Iarles Custódio diz que não se arrepende da escolha profissional e garante que pretende se aperfeiçoar cada vez mais na profissão

“Trabalhar com mulheres é ter a certeza de que são mais prudentes na operação, além de cuidarem melhor dos equipamentos, aumentando a vida útil e reduzindo a manutenção mecânica”, opina César Augusto Rosa, coordenador de gestão de pessoas do Grupo USJ, empresa que presta serviço para a Usina São Francisco, em Quirinópolis/GO.

Ele acrescenta que as mulheres começaram a se candidatar mais para o transporte de cana-de-açúcar, embora não signifique falta de homens capacitados. “Disponibilizamos oportunidades na empresa independente do sexo”, explica. A contratação é apoiada em entrevistas e aplicação de testes psicológicos e práticos para seleção dos profissionais. Atualmente, trabalham na empresa 17 mulheres, sendo 11 operadoras de máquinas e seis motoristas de caminhão, e todos os funcionários do grupo passam por programas de capacitação, conforme a área em que atuam.

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É fundamental ter conhecimento aprofundado neste tipo de carga, porque tudo é diferente, até o caminhão, destaca Franciene Martins

A goiana de Quirinópolis, Iarles Custodio dos Santos, 36 anos de idade é uma das motoristas que trabalha para a USJ. Ela transporta cana-de-açúcar há nove meses para a Usina São Francisco. Antes desse emprego dirigiu caminhão borracheiro e não se arrepende de ter optado pelo transporte de cana. Habilitada na Categoria E, sua experiência no segmento se deu de forma diferente. Na época, trabalhava com o caminhão de empresa terceirizada e acabou sendo contratada para transportar para usina. “Aceitei o convite e gosto muito do que faço”, disse. Ela não esconde a paixão por caminhões, diz ter passado por processo de capacitação e pretende se aperfeiçoar cada vez mais no setor de transporte, embora não tenha encontrado dificuldades com o trabalho até agora, pois acredita ter vocação.

Franciene Martins de Araújo, 38, também de Quirinópolis, é um exemplo de motorista de caminhão que ingressou recentemente no transporte de cana-de-açúcar. Ela presta serviços para o Grupo USJ, na Usina São Francisco, desde o início da safra deste ano, época em que se inicia a procura por puxadores de caminhão para o transporte de cana, que aumenta muito. Habilitada com CNH Categoria E, Franciene conhece as dificuldades para dirigir veículo de carga, embora tenha experiência com outros tipos de cargas. “Desde menina já trabalhava com meu pai e nunca parei. Amo o que faço e minha família está completamente envolvida na minha profissão”, conta.

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Somadas experiência e à força de vontade, lembra que se candidatou à vaga da empresa para obter capacitação e experiência no segmento. Ela sabia que não seria fácil, adquirir conhecimentos em novas áreas para ter um diferencial em seu currículo. Após ser contratada passou por treinamento dentro da empresa e só depois que dirigiu o caminhão de cana acompanhada pelos instrutores da usina é que ela iniciou o trabalho sozinha. “É fundamental obter conhecimento aprofundado neste tipo de carga, porque tudo é diferente, a começar pelo caminhão. Além disso, a cana é muito alta e tem de se acostumar com isso primeiro”, explicou.

César Augusto da Rosa explica que o salário no Grupo USJ é acordado conforme a função exercida pelo profissional, independente do sexo. Ele disse estar havendo um crescimento do número de mulheres dentro da empresa e revela que tem ideia de estudar benefícios voltados especialmente as motoristas, como auxílio creche, por exemplo. “Obedecemos todas as normas da CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) e, inclusive, definimos jornadas em três períodos para evitar que os funcionários excedam oito horas de serviço diário”, finaliza.

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Vinda de colégio agrícola, Cristiane Dias Bueno opera uma máquina de corte de cana e diz que a escola facilitou seu ingresso na empresa

Para a ETH Bioenergia, empresa que atua na produção, comercialização e logística de etanol, energia elétrica e açúcar, a inserção de mulheres no transporte de cana-de-açúcar ocorreu de forma natural, uma vez que o mercado de trabalho está aberto para receber profissionais com conhecimento e habilidades para o cargo oferecido, além de outras competências comportamentais que condizem com a cultura da organização. Também na empresa, o sexo feminino vem ganhando importância no setor e as motoristas têm apresentado características positivas, como cuidado, atenção e carinho, contribuindo para a qualidade e produtividade no trabalho.

Na ETH Bioenergia, o número de mulheres que participam de treinamentos é cada vez maior. Entre eles, destacam operadores agrícolas, que qualifica profissionais para quatro funções: operador agrícola, operador de colhedora, motorista de caminhão e de comboio, buscando entendimento de todo o processo envolvido na indústria sucroalcooleira. Nas cinco unidades da empresa, e na sede de São Paulo, trabalham 1.052 mulheres, que estão se destacando dentro de suas atividades, especialmente na operação de máquinas agrícolas.

É o caso de Cristiane Dias Bueno, 20, que está entre as motoristas que trabalham na Unidade Conquista do Pontal da ETH Bioenergia, de Sorocaba/SP. Com CNH Categoria C, trabalha há mais de um ano com transporte de cana-de-açúcar. Antes de ingressar na profissão, estudou em colégio agrícola, o que facilitou o ingresso na ETH Bioenergia, uma vez que a empresa optou por alunas do curso.

Quando perguntada sobre o seu trabalho, a motorista afirmou gostar do que faz, por ser um trabalho totalmente diferente dos outros, e também pela oportunidade de conviver com outras pessoas. Antes de iniciar a função, a paulista passou por treinamentos e, apesar de muito nova, não se incomoda com o preconceito enfrentado pelo fato de ser mulher. “O importante é ser profissional e tenho expectativa de, futuramente, ser reconhecida na minha área. O importante é correr atrás do objetivo”, conclui.

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