F-Truck – Roberval Andrade é o campeão de 2010

 

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Competindo com caminhão Scania equipado com dois turbos, Roberval Andrade venceu cinco das 10 corridas do campeonato de 2010
Após cinco anos encerrando o campeonato sempre entre os primeiros colocados, Roberval Andrade finalmente conquistou o segundo título de campeão na categoria correndo com caminhão Scania, em prova decisiva, realizada em Brasília/DF. Foi uma disputa apertada em que ele e seu único adversário, Felipe Giaffone, terminaram o campeonato com 176 pontos cada um, sendo que ele ficou com o título por ter maior número de vitórias durante a temporada

Texto João Geraldo
Fotos Fernando Favoretto

Com cinco vitórias em 10 etapas disputadas, Roberval Andrade (Scania) sagrou-se o campeão da temporada 2010 do Campeonato Sul-Americano e Brasileiro de Fórmula Truck, na última corrida do ano – vencida por ele – disputada no autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília/DF. Seu único adversário na disputa final era o líder da competição, Felipe Giaffone (Volkswagen), que tinha a seu favor a vantagem de 17 pontos, diferença que poderia lhe garantir o título mesmo que Andrade vencesse a prova.

Os dois pilotos chegaram a Brasília cientes de que seria um final de semana difícil, pois além de tratar-se de uma decisão ambos sabiam da capacidade do outro, em um ambiente que para Giaffone a diferença a seu favor não lhe dava garantia ao título e nem tranquilidade. A disputa final começou a ficar mais interessante a partir do momento que Andrade conquistou a pole position no treino classificatório para formação do grid de largada e Giaffone ficou apenas com o sétimo tempo e com a diferença a seu favor reduzida a 16 pontos, devido ao ponto conquistado pelo adversário com a pole position.

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Pilotos que poderiam ameaçar liderança de Andrade, como Danilo Dirani, Geraldo Piquet e Leandro Totti, tiveram problemas logo no início da corrida

Pela matemática do campeonato, a partir daquele momento se Roberval vencesse a corrida Giaffone poderia ser o campeão terminando até em quarto lugar, mas era necessário considerar três importantes detalhes do regulamento da Fórmula Truck. Primeiro, a Bandeira Amarela Programada, que ocorre ao final de 1/3 da prova e que distribui de um a cinco pontos, sucessivamente, aos primeiros cinco pilotos que cruzarem a linha de chegada. O segundo é que o piloto que faz a volta mais rápida da corrida também ganha um ponto e terceiro, em caso de haver empate de pontos entre os pilotos no final do campeonato, o título fica com aquele que venceu mais corridas durante a temporada. E Roberval tinha acumulado quatro vitórias e Giaffone uma.

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Logo no início da corrida, Leandro Totti se envolveu em acidente com Danilo Dirani e foi desclassificado da prova pela direção de prova

O dia da corrida amanheceu nublado e a pista do autódromo molhada por uma forte chuva que caiu durante a madrugada. Logo o sol apareceu e a alta temperatura comum à região começou a castigar os caminhões e pilotos já no treino de aquecimento (warm up). Às 14 horas, a temperatura superava os 35 graus celsius, sendo consenso entre os pilotos dos 24 caminhões alinhados no grid, a preocupação com o superaquecimento do motor.

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Giaffone chegou a ultrapassar Cirino e ficar com a mão no título na terceira posição, mas logo em seguida ele voltou para a quarta posição

Quando o diretor de prova autorizou o início da corrida, Roberval fez boa largada, mas antes de fechar a primeira volta um acidente ocorrido nas primeiras posições, envolvendo os caminhões de Leandro Totti e Danilo Dirani provocou a primeira mudança importante na corrida. Dirani bateu forte contra a barreira de pneus e abandonou a prova; Totti caiu para a nona posição e Geraldo Piquet, que também sofreu as consequências caiu do terceiro lugar para o 14º. Com isso, Giaffone que havia largado em sétimo e perdido uma posição passou a ocupar o quinto lugar, o que representava problema para Roberval.

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Beto Monteiro, que teve o caminhão competitivo a partir da oitava etapa, fez uma excelente prova, pressionou o líder e terminou na segunda posição

O acidente provocou interrupção da corrida e Leandro Totti recebeu bandeira preta e foi excluído da prova. Com os caminhões realinhados na pista seguindo o Pace Truck, entre Andrade e Giaffone estavam Leandro Reis (Scania), em segundo; Wellington Cirino (Mercedes-Benz), terceiro e Beto Monteiro (Iveco, em quarto). Logo após a relargada, Monteiro ultrapassou Reis ( e logo Cirino fez a mesma coisa) e começou a pressionar Andrade até a 13º volta quando foi dada a Bandeira Amarela Programada. Roberval faturou mais cinco pontos e Giaffone um, na quinta posição. Com isso, a diferença de 16 pontos caia para 12, mas como Roberval havia feito a melhor volta até aquela altura da corrida, a diferença real eram 11 pontos. Se a corrida acabasse naquele momento Andrade seria o campeão, pois conquistaria mais 25 pontos e o concorrente 12.

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Na corrida em que ia aposentar o caminhão após seis anos em suas mãos, Pedro Muffato terminou a temporada na sétima posição

Logo após o reinicio da segunda parte da corrida, Giaffone faz a ultrapassagem sobre Leandro Reis e, em seguida assume a terceira posição de Cirino, a qual lhe garantia o título de campeão. Bastava apenas ele se manter ali até a bandeirada final. Porém, uma rodada de André Marques (Scania), companheiro de equipe de Andrade, em uma mancha de óleo, provocou nova interrupção da corrida e a entrada do Pace Truck na pista.

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Na 12ª posição, Paulo Salustiano foi o piloto que obteve melhor colocação na corrida correndo com caminhão Volvo

Na relargada Cirino reassumiu a terceira posição e tirou a taça das mãos de Giaffone. Uma volta depois é dada nova bandeira amarela, desta vez devido a rodada de Leandro Reis. Era uma nova chance para Giaffone assim também como um problema para Andrade, que corria sobre forte pressão de Beto Monteiro, mas para sua sorte Cirino largou bem e defendeu sua posição. Foi o momento durante toda a prova em que Giaffone pisou mais forte no acelerador do seu caminhão, pois a corrida estava bem perto do final e ele precisava fazer a ultrapassagem para ficar com o título, mas não conseguiu, principalmente porque, como ele sabia, na pista de Brasília os caminhões com motores maiores (12 e 13 litros), levam vantagem sobre os menores. Quando Andrade cruzou a linha de chegada, já sabendo que era o campeão de 2010 sua primeira reação foi chorar, pois estava chegando ao final de uma maratona de cinco anos “morrendo na praia”.

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Nas últimas seis voltas da prova Valmir Benavides andou na sexta posição, atrás de Felipe Giaffone e nada pode fazer para ajudar o companheiro de equipe
Vitória na semifinal foi fundamental para o título

A vitória de Roberval Andrade na etapa semifinal do campeonato, disputada em Curitiba/PR dia 14 de novembro foi de grande importância para a conquista do campeonato de 2010. Na ocasião, o piloto venceu pela quarta vez no ano e dos cinco candidatos ao título que havia na ocasião, ele e Giaffone ficaram para o confronto final. Outros três pilotos – Valmir Benavides (Volkswagen), Wellington Cirino e Geraldo Piquet (Mercedes-Benz) que até a etapa passada tinham chances de chegar ao título não conseguiram pontos suficientes para prosseguirem na disputa.

Andrade largou na pole position e venceu a corrida de ponta a ponta. Durante a prova, o primeiro piloto a ameaçar sua liderança e tentar comprometer seus planos na etapa foi o paranaense Leandro Totti (Mercedes-Benz), que permaneceu 22 das 32 voltas da corrida no seu retrovisor. Por várias vezes balançou o caminhão de um lado e do outro na tentativa de desconcentrar o adversário e encontrar uma brecha para fazer a ultrapassagem.

Felipe Giaffone acompanhava a disputa entre os dois sem colocar em risco sua terceira posição e assumiu a vice-liderança da prova quando faltavam 10 voltas para a bandeirada final e apesar da forte pressão sobre Roberval não conseguiu fazer a ultrapassagem para, praticamente, colocar a mão na taça de campeão, pois ficaria 28 pontos à frente, caso Roberval recebesse a bandeirada na segunda posição.

“Consegui levar a decisão para Brasília. Lá será outra corrida do tipo “tudo ou nada”, pois tenho de tirar 17 pontos de diferença”, comentou Roberval, que disse ainda, na ocasião, que em Brasília iria pensar apenas na vitória e deixar os números para o adversário pensar. Giaffone, por sua vez, acrescentou que esperava uma prova mais complicada em Brasília, já que os motores de 12 litros deveriam ter uma enorme vantagem, além do consumo excessivo de pneus (JG).

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RESULTADO DA CORRIDA

1º Roberval Andrade, 2º Beto Monteiro, 3º Wellington Cirino, 4º Felipe Giaffone, 5º Valmir Benavides, 6º Renato Martins, 7º Pedro Muffato, 8º Débora Rodrigues, 9º Bruno Junqueira, 10º Geraldo Piquet, 11º Vignaldo Fizio, 12º Paulo Salustiano, 13º Leandro Reis, 14º Adalberto Jardim, 15º Cristiano Da Matta, 16º André Marques, 17º Diumar Bueno. Não completaram ¾ da prova: Fred Marinelli, Andersom Toso, Fabiano Brito, José Cangueiro, Zé Maria Reis e Danilo Dirani.

PONTOS DO CAMPEONATO
Roberval Andrade 176
Felipe Giaffone 176
Wellington Cirino 142
Valmir Benavides 132
Geraldo Piquet 114
Beto Monteiro 90
Renato Martins 74
Leandro Totti 61
Pedro Muffato 61
10º Leandro Reis 59
11º Adalberto Jardim 55
12º Paulo Salustiano 54
13º André Marques 47
14º Danilo Dirani 44
15º Fred Marinelli 43
16º Débora Rodrigues 35
17º Bruno Junqueira 22
José Maria Reis 22
19º João Maistro 21
20º Fabiano Brito 19
Diumar Bueno 19
22º José Cangueiro 15
23º Cristiano Da Matta 13
24º Andersom Toso 08
25º Vignaldo Fizio 07
CAMPEONATO DE MARCAS
Volkswagen 398
Scania 341
Mercedes-Benz 332
Iveco 146
Volvo 145
Ford 100
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